quarta-feira, 30 de maio de 2012

Santuários de animais em Curitiba


Mel Gabardo/ Gazeta do Povo
Mel Gabardo/ Gazeta do Povo / “Não sei quem precisa mais de quem: eles de nós ou nós deles”, diz  Anita Starostik “Não sei quem precisa mais de quem: eles de nós ou nós deles”, diz Anita Starostik
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Vida dedicada aos animais

Proprietários de criadouros de animais silvestres investem seu tempo, carinho e dinheiro para cuidar e dar nova chance a bichos ameaçados
Eles só faltam falar. E não é balela de algum dono que acha o seu bicho de estimação o mais inteligente. Dino, Caíque, Lucas, Mateus, Johny e outros 18 chimpanzés que vivem no Instituto Conservacionista Anami compreendem pedidos e ordens e os atendem. Quando querem, claro. Eles têm histórias diferentes, mas com um elemento em comum: todos foram vítimas de maus-tratos.
VÍDEO: Veja os criadouros de animais silvestres da região de Curitiba

Mel Gabardo/ Gazeta do Povo
Mel Gabardo/ Gazeta do Povo / Depois de ver os bichos que chegavam ao Ibama vítimas de maus-tratos, Luciano Saboia resolveu construir o criadouro Onça Pintada, que conta com cerca de 2,2 mil animais de 150 espécies diferentes

Depois de ver os bichos que chegavam ao Ibama vítimas de maus-tratos, Luciano Saboia resolveu construir o criadouro Onça Pintada, que conta com cerca de 2,2 mil animais de 150 espécies diferentes
Os tipos
O Ibama classifica os criadouros de animais silvestres em quatro tipos:
Conservacionistas: apoiam as ações do Ibama na conservação das espécies, mantendo os animais em condições adequadas de cativeiro e dando subsídios no desenvolvimento de estudos sobre sua biologia e reprodução. Os animais não podem ser vendidos ou doados, apenas intercambiados com outros criadouros e zoológicos.
Comerciais: produzem as espécies para comércio, seja do próprio animal ou de seus produtos e subprodutos.
Comerciais da Fauna Exótica: regulamenta a criação de animais exóticos, ou seja, animais provenientes de outros países, como javalis.
Científicos: além de conservar, realizam atividades de pesquisas científicas com animais silvestres.
Conservação
Empresas investem em viveiros
Muitas empresas também investem nos criadouros de animais silvestres. É o caso da Ouro Fino, que, na área que abriga a fábrica e o parque ecológico, mantém um espaço com 30 animais de seis espécies: periquito-verde, papagaio-verdadeiro, arara-canindé, carcará, coruja-orelhuda e macaco-prego. A Volvo mantém, na Associação Viking, 16 aves. O tratador Armando Luiz Weber, que cuida dos bichos desde a implantação dos viveiros, há 15 anos, tem com eles uma relação especial. “No fim do ano eu me aposento. Mas não sei se vou aguentar ficar longe deles.”
SLIDESHOW: Fotos dos animais nos criadouros
Um exemplo é Omega, que ficou famoso em 2010, como o macaco fumante. Ele veio do Líbano, onde vivia em péssimas condições em um zoológico, depois de ter sido capturado ainda bebê por contrabandistas, ser baleado, viver na casa de uma família e trabalhar como garçom. Após o acolhimento no Anami, em São José dos Pinhais, ele largou o vício, ganhou um lar apropriado, uma companheira e muito carinho do casal Ana e Milan Starostik.
Foram eles que criaram o instituto, há 30 anos, e cuidam dos mais de 400 animais com a ajuda de 30 funcionários. Além dos chimpanzés, há uma orangotango fêmea – Catai –, macacos-prego, macacos-aranha, papagaios, araras, cervos, tucanos, patos, cisnes. Todos têm nome, refeições fartas, recintos adequados. Ana, 85 anos, e Milan, 87, não fazem a conta de quantos são exatamente, nem de quanto gastam para manter toda essa estrutura. “Gastamos o necessário para mantê-los bem, sem esbanjar”, encerra o assunto dona Anita, como Ana é chamada.
Outro proprietário de um criadouro de animais silvestres, o médico Luciano Saboia, também afirma não fazer essa conta. No Criadouro Onça Pintada, em Campina Grande do Sul, são cerca de 2,2 mil bichos, de 150 espécies diferentes, entre mamíferos, aves e répteis. Todos da fauna brasileira. Entre eles, há cinco onças pintadas.
Legal, nos dois sentidos
A existência desses locais foi prevista na Lei de Proteção à Fauna, de 1967. Mas só a partir de 1993 o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começou a publicar portarias e instruções normativas para ordenar a criação de animais silvestres em cativeiro. Os objetivos eram diminuir o tráfico e permitir que as pessoas tivessem esses animais de forma legal.
O que não significa apenas lícito, mas também que o trabalho desenvolvido nesses locais é significativo. No Onça Pintada, além de abrigar os animais em ótimas condições – os recintos são espaçosos, ambientados e seguros, as refeições fartas e balanceadas – há diversos programas de reprodução em cativeiro e reintrodução das espécies na natureza.
Os animais enviados para os criadouros provêm de situações de maus-tratos. Tanto do tráfico, como de apreensões em circos, zoológicos, residências e de resgate em derrubadas de florestas para a construção de usinas hidrelétricas, por exemplo. Após passar por um Centro de Triagem de Animais Silvestres, do Ibama, onde recebem tratamento, são encaminhados aos criadouros.
O início
Ambos criadouros começaram de forma quase imprevista. Saboia comprou, em 1995, uma área que estava degradada pela pecuária. Resolveu recompor a flora nativa. Trabalho feito, o retorno dos animais foi lento, quase inexistente. Ele então buscou programas de reintrodução de animais e recebeu seis casais de cotias. “Mas o mundo não é feito só de cotias”, brinca. Ao pedir para o Ibama outros roedores – sua ideia eram pacas e capivaras – a resposta foi: “Temos uma onça precisando de auxílio”.
O médico não titubeou. Imediatamente começou a construção do recinto que receberia Juca, que estava havia cinco anos em uma jaula de dois por três metros quadrados. Ele chegou em 2003 e “nunca tinha visto água, areia ou grama”. Foi o início do criadouro. “Depois do Juca, vi que bicho lá com problema não falta. Resolvi construir o criadouro em 10 mil metros quadrados. Mas fui aumentando e hoje ele ocupa quase toda a área (são 65 alqueires, mais de 6 milhões de metros quadrados).”
O Anami, por sua vez, foi nascendo aos poucos. Na época em que era industriário, Milan começou a criar pássaros. Quando se aposentou, achou que os bichos seriam uma boa ocupação. O primeiro chimpanzé foi presente de um amigo. Como os macacos são seres sociais, ele não poderia ficar sozinho. Foi quando começou essa verdadeira história de afeto entre o casal e os chimpanzés. “Não sei quem precisa mais de quem: eles de nós ou nós deles”, reflete Anita.
Nenhum dos dois locais aceita visitas. “Queremos deixá-los em paz”, justifica Anita. Embora não divulguem o gasto para manter os criadouros, é óbvio para quem os visita que não é pouco. O que os leva a dispender tempo, carinho e muito dinheiro com os animais? “Tem coisas que o dinheiro não paga. Se você não tiver um destino certo para o dinheiro, ele é uma besteira. Não é nada, não representa nada. É isso que a sociedade e o mundo não conseguem entender. Hoje o dinheiro compra comida porque há comida. E quando não tiver mais?”, indaga Saboia. “Esse trabalho é gratificante. Os bichos reconhecem, mas te mordem, te chifram, te bicam. É o jeito deles agradecerem”, emenda.
Para Anita, cuidar do que a natureza nos deu é um hobby “muito bom”. “Eles dão preocupação, dão trabalho, mas nos trazem muita alegria também.” E Milan faz um relato emocionado: “A convivência com eles é o oxigênio da minha vida”.

 

Os criadouros de animais silvestres da região de Curitiba

Resgatados de situações em que estavam sofrendo maus-tratos, os animais são bem cuidados em criadouros particulares, onde recebem carinho, alimentação farta e vivem em recintos adequados e ambientados.
 

Serviço

O Criadouro Onça Pintada tem um programa de ecovoluntários. Fone (41) 3029-8810, site www.criadourooncapintada.org.br.

Parque Ecológico Ouro Fino: Estrada Ouro Fino s/n, Bateias, Campo Largo. Os ingressos podem ser adquiridos diretamente no parque, de terça-feira a domingo, das 7 às 18 horas, a R$ 15 (adultos), R$ 10 (crianças de 5 a 12 anos) e R$ 7,50 (acima de 60 anos). Fone (41) 3648-6000, site www.aguasourofino.com.br

Um comentário:

  1. Estou precisando doar um PitBull,Adulto, Marrom de olhos castanhos.
    Fiel, muito dócil e abodiente com as pessoas.

    Caso saibam onde por favor me ajudem.

    Denisecorradi@hotmail.com
    Obrigada

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